sexta-feira, 7 de maio de 2010

A REPRESENTAÇÃO DO CORPO ATRAVÉS DO DESENHO DA FIGURA



O desenho da figura humana expressa as funções adquiridas pela criança durante o seu desenvolvimento, dentro de um senso comum (onde todos os indivíduos passam pelas mesmas fases de desenvolvimento), dentro de uma realidade infinita e finita.
A realidade infinita é tudo o que eu posso idealizar e que não dá para ser expressa em uma folha de papel, e a finita é a que pode ser representada até mesmo graficamente.
O desenho do corpo, nada mais é que a expressão gráfica de toda a experiência corporal vivenciada pela criança, através dos receptores de informações como a visão, o tato, e o sentido cinestésico, que as integram na análise, na síntese e no processamento ocorridos no cérebro.
Quando a criança apresenta desenhos da figura humana empobrecidos no esquema e imagem corporal (fora da faixa etária em que se encontra, ou com omissões de partes do corpo) tem-se também uma escrita pobre. Isso porque a primeira mensagem transmitida para o outro, é a do corpo, e se essa não está elaborada e estruturada, as demais conseqüentemente poderão estar comprometidas.
“O desenho do corpo não substitui a multiplicidade de dados afetivos, emocionais, projetivos, cognitivos, etc.,inseridos na noção do corpo. Isoladamente considerado, não fornece a totalidade dos aspectos somatogósicos, nem pode espelhar o potencial intelectual de uma criança: trata-se de um precioso auxiliar que deve ser perspectivado com outros dados.”(FONSECA,1992:196)
Quando uma criança desenha, coloca no traçado toda uma idéia, um desejo, uma aprendizagem, e por isso o adulto deve ter uma análise muito cautelosa e observadora para a mensagem gráfica. Nas perguntas feitas sobre o que a criança desenhou, os elogios são muito importantes, já que para a criança, seu desenho é claro na representação de seu pensamento. As críticas feitas, podem bloquear toda a criatividade de uma criança, no ato de desenhar.
É a partir dos 3 anos que a criança começa a realizar o desenho da figura humana com intencionalidade, sendo a garatuja uma forma de traçado. Os círculos surgidos no papel, representam o primeiro conhecimento corporal – a cabeça – que para todo indivíduo, tem funções essenciais como alimentação, fala, pensamento, audição e visão. Entre 4 e 5 anos, começam a surgir os detalhes dentro do círculo (o que é esperado em todas as avaliações), representando assim os membros e partes específicas do corpo como olhos, boca, nariz, braços e pernas. Surge a relação consciente do corpo no espaço, quando a criança desenha suas figuras humanas na vertical (onde passa a maior parte do tempo, com o seu corpo), e de frente (parte do corpo que é mais explorada pela visão).
“No início, o corpo era único, um bloco indivisível, um todo redondo feito uma mandala, um ovo, um casulo. Desse núcleo, nascem outros elementos gráficos que se alongam para fora: membros, galhos, raios, dedos, pés, as extremidades.”(DERDYK,1990:119).“Os pontos significativos do desenho da Figura Humana são:
1-A noção espacial gráfica.
2- A qualidade do desenho
3- A proporcionalidade do desenho
4- O contexto do desenho
5- Os aspectos grafomotores” (LOUREIRO,2004:54)
Através do desenho da figura humana podemos analisar alguns aspectos psicomotores importantes como a tonicidade (como o traçado se apresenta no papel – forte ou fraco), equilibração (a postura da criança durante a atividade; a própria figura representada no desenho - inclinado ou apresentado em linha reta), esquema e imagem corporal (representação do corpo de uma pessoa, não de um objeto ou animal; omissão ou apresentação das partes do corpo), lateralidade (podendo a partir de 7 anos, já apresentar uma melhor qualidade no desenho para o lado motor dominante da criança – mãos, pés e olho), orientação espacial (tamanho da figura humana e utilização do espaço no papel), e praxias glogal e fina (postura global da criança ao
desenhar; e preensão – como a criança segura no lápis - e pressão do lápis sobre o papel).

FONTE: DO ABANDONO AO REENCONTRO COM O DIÁLOGO TÔNICO (LUCIANA GURGEL, FRANÇA, 2007)

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